Um dos importantes instrumentos quaresmais é a
oração. A Igreja nos propõe a intensificarmos a oração nestes dias, a fim de
que o resultado desta caminhada seja sempre mais favorável. Por esta razão a
liturgia de hoje nos apresenta Jesus no evangelho ensinando os seus discípulos
a exercitarem a verdadeira oração que agrada a Deus. Com este intuito, Jesus
oferece-lhes a oração do PAI NOSSO. Todos nós conhecemos bem esta oração. Há
aqueles que aprenderam com seus pais. Há ainda os que aprenderam com os seus catequistas
de primeira eucaristia. Rezamos o Pai Nosso através das nossas orações
pessoais, no santo terço e na igreja, quando participamos da santa missa.
Contudo, numa observância sempre mais quaresmal, compreendendo que a oração
deve estar unida à caridade e ao jejum, será que vivemos cada palavra que Jesus
ensinou com esta oração, ou simplesmente a rezamos de forma automática, muitas
vezes desconectada da nossa realidade? Ganha força nos dias de hoje uma oração
muito simplória e intimista. Uma oração que é mais conversa do que diálogo,
isto é, falo com Deus com várias palavras, na espera que Ele me ouça e me
atenda. Mas não aprendo a contemplar o que estou rezando, a fim de deixar que
Deus também fale a mim. A oração deve ser silenciosa, mais QUALITATIVA do que
QUANTITATIVA. Há aqueles que buscam orações poderosas, orações de cura e
aquelas com resultados apressados, quase como num passe de mágica. A ORAÇÃO,
QUANDO VERDADEIRA, É DESPRENDIDA. NÃO COBRA NADA DE DEUS, POIS SABE QUE ELE JÁ
ENTENDE O QUE É MELHOR PARA NÓS. Querendo pedir algo aos céus, peçamos também
pelos outros. Uma oração de intercessão é muito mais legítima e agradável a
Deus. Quem pede pelos outros, aprende o que é fazer a sintonia da oração com a
caridade. Deus já está sintonizado conosco. Estejamos também atentos ao que Ele
faz por nós. Uma oração bem vivida e bem relacionada com o mundo, como diz o
Profeta Isaías, assemelha-se à chuva que cai na terra para fazê-la fecundar e
germinar as suas sementes (1ª leitura – Is 55,10-11). Seja assim também a nossa
oração: fecunda, para ser capaz de fortalecer a nossa relação com Deus, através
dos nossos irmãos.

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