Hoje, o evangelho nos faz contemplar o encontro de
uma mulher pecadora com Jesus. Aqueles que a acusavam, movidos pelo
preconceito, pelo julgamento vão e por uma lei fria e desonesta, pedem a Jesus
que os ajude a aplicar uma sentença. Acusavam-na de adultério. Olhavam para a
mulher, esquecendo do homem que esteve com ela. Lei verdadeira deve ser
imparcial e desprendida de qualquer tipo de proveito para um dos lados da
questão. Por esta razão, A VERDADEIRA LEI DE DEUS SE DEIXA MOVER-SE PELA
MISERICÓRDIA E PELA JUSTIÇA. DEUS É PAI E NÃO UM JUIZ. E QUANDO JULGA NÃO SE
UTILIZA DE CRITÉRIOS HUMANOS. Jesus, sem isentar-se da lei ou obrigado a agir
de forma irresponsável e desrespeitosa, aponta para a prática do evangelho da
Misericórdia, ao dizer: “não te condeno, mas agora vá e não tornes a pecar!”. É
interessante o detalhe que descreve o evangelista João, ao narrar esta cena. Os
doutores e fariseus apontam para a mulher, enquanto Jesus, inclinado, aponta o
dedo para o chão. Aqueles doutores queriam escrever a sentença de condenação
daquela mulher. Jesus simplesmente escrevia na areia. ENQUANTO APONTAMOS O DEDO
PARA ACUSAR, DENEGRIR E DERRUBAR, JESUS APONTA APENAS O CAMINHO PARA A NOSSA
CONVERSÃO. Temos que deixar de vez o nosso erro e nos repararmos, a fim de
sermos pessoas mais íntegras e merecedoras do amor de Deus. A QUARESMA É O
TEMPO MAIS CERTO PARA CAIRMOS EM NÓS, ASSIM COMO CAIU AQUELA MULHER AOS PÉS DE
JESUS. Abertos à misericórdia, seremos como o deserto que, em Deus, torna-se
uma terra encharcada pelo amor que repara nossas faltas e nos inunda conforme a
imensidão de sua misericórdia (1ª leitura – Is 43,16-21). Esqueçamos o que
ficou para trás. Arrependidos, mas também aptos a abraçar uma vida nova,
lancemos o nosso olhar e o nosso coração ao que Deus nos reserva de bom (2ª
leitura – Fl 3,8-14). Esta deverá ser sempre a nossa meta, como bem nos lembra
São Paulo. Que a misericórdia e a justiça de Deus nos projetem rumo a uma vida
de mais reconciliação e de paz.

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